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O que é a deriva na aplicação de defensivos agrícolas, e como evitar ela?

Utilizar o que há de melhor em defensivos agrícolas para a lavoura é o primeiro passo para garantir a produtividade no campo. Mas todo agricultor sabe que, além disso, é fundamental ter cuidado com a aplicação desses produtos para que eles sejam bem aproveitados e não representem riscos ao meio ambiente e à saúde humana. E nesse sentido, um dos principais problemas durante a pulverização é a deriva na agricultura.

O que é deriva na agricultura?

A deriva na agricultura ocorre quando a trajetória da gota é desviada durante a aplicação de um defensivo, fazendo com que o produto não atinja o alvo desejado. Esse fenômeno pode gerar dois problemas principais: a ineficiência no aproveitamento do insumo ― que também se relaciona ao aumento de custos e à perda de produção ― e a contaminação de áreas próximas à lavoura.

Por esse motivo, a deriva é considerada um dos fatores mais impactantes e prejudiciais em relação à aplicação de defensivos agrícolas, tanto do ponto de vista econômico quanto socioambiental. Basta pensar que, quando o produto não atinge o alvo, é necessário repetir a pulverização ou arcar com os gastos da perda em produtividade. De todo modo, trata-se de prejuízo para o agricultor.

Outro grave problema é a exoderiva, tipo de deriva em que o defensivo alcança a área no entorno da lavoura, gerando riscos ao meio ambiente, à população residente no local e até mesmo a outros tipos de produção. Nesse sentido, um caso  recente ocorreu no Rio Grande do Sul, em que a aplicação de um defensivo para soja ocasionou perdas de até 40% nas lavouras próximas de uva e oliva.

O que causa a deriva na agricultura?

O primeiro passo para evitar a deriva na agricultura é entender quais são os fatores que causam esse fenômeno. Nesse sentido, há dois aspectos predominantes: o tamanho das gotas e as condições do vento. Porém, vale verificar outras características, como a altura da barra de pulverização, a umidade relativa e a turbulência do ar e a temperatura.

As gotas muito finas (entre 50 e 100 micrometros) são mais suscetíveis ao fenômeno, principalmente quando há alta temperatura e baixa umidade relativa do ar, combinação que pode gerar, inclusive, a evaporação do líquido. Por isso, o indicado é utilizar gotas médias ou grossas, cuja trajetória é vertical e tem mais resistência à deriva na agricultura, desde que as condições climáticas sejam adequadas.

A direção e a velocidade do vento também impactam no risco de deriva e devem ser observadas com rigor para evitar que o produto acabe atingindo áreas sensíveis, como residências, outras lavouras, rios e demais ambientes. O ideal é que haja apenas uma brisa leve, com velocidade do ar entre 3,2 e 6,5 km/h na altura do bico do pulverizador.

Como reduzir a deriva na agricultura

Depois de saber quais aspectos causam a deriva, fica claro que dar atenção a eles é fundamental para que a aplicação de defensivos agrícolas seja a mais segura e eficiente possível. Por isso, se você tem dúvidas sobre como analisar as condições climáticas ou o que fazer para controlar o tamanho das gotas, procure um profissional especializado para orientar esse processo.

Além de prevenir esses fatores de risco, você também pode utilizar soluções e equipamentos capazes de reduzir o risco de deriva na agricultura. Um exemplo são os bicos de pulverização com indução de ar, que tiram o ar do ambiente e o adicionam à gota, fazendo com que ela aumente de tamanho, o que é ideal para evitar a evaporação e o desvio no trajeto desejado para a aplicação.

Outra opção são os adjuvantes específicos para o controle da deriva, que modificam a característica da calda para gerar gotas mais grossas e prevenir esse risco. Vale lembrar, no entanto, que, embora as gotas com diâmetro maior sejam mais indicadas para reduzir a deriva, há aplicações que exigem maior cobertura e, por isso, necessitam de gotas menores.

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